segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Cardápio de último almoço no Titanic deve arrecadar US$ 70 mil em leilão

Cardápio de último almoço no Titanic deve arrecadar US$ 70 mil em leilão

Carta escrita por sobrevivente também será vendida em 30 de setembro.
Destroços de navio, afundado em 1912, foram encontrados há 30 anos.

Da Reuters
Foto sem data do cardápio do último almoço servido a bordo do Titanic (Foto: Lion Heart Autographs via AP)Foto sem data do cardápio do último almoço
servido a bordo do Titanic (Foto: Lion Heart
Autographs via AP)
Mais de um século depois de os passageiros da primeira classe de um Titanic fadado ao naufrágio terem comido carneiro grelhado e pudim numa rebuscada sala de refeições, espera-se que o cardápio do último almoço servido no navio seja vendido por no mínimo US$ 70 mil em um leilão virtual, disse um dos curadores nesta segunda-feira (31).
O navio cruzeiro de luxo afundou no Oceano Atlântico em 15 de abril de 1912, depois de atingir um iceberg durante sua viagem inaugural de Southampton, na Inglaterra, a Nova York.
Na terça-feira contam-se 30 anos desde que os destroços do navio, que tinha sido considerado impossível de afundar, foram encontrados no fundo do oceano por uma equipe de pesquisadores.
O menu de almoço vai ser leiloado em 30 de setembro através da Invaluable, uma casa de leilões online, junto com uma carta escrita por um dos sobreviventes e um ingresso para uma cadeira de pesagem que se usava nos banhos turcos do navios.
David Lowenherz, dono da Lion Heart Autographs, que comercializa manuscritos raros e é responsável pelo leilão, disse existir somente dois ou três menus conhecidos do último almoço no navio. Ele estima que o cardápio seja vendido por entre US$ 50 mil e US$ 70 mil.
Os itens são todos provenientes de passageiros que sobreviveram ao naufrágio do Titanic no bote salva vidas número 1.
Foto não datada exibe trecho de uma carta escrita por um sobrevivente do naufrágio do Titanic, seis meses após o desastre (Foto: Lion Heart Autographs via AP)Foto não datada exibe trecho de uma carta escrita por um sobrevivente do naufrágio do Titanic, seis meses após o desastre (Foto: Lion Heart Autographs via AP)

Déficit nas contas dificulta alta do PIB, diz economista; veja repercussão

Déficit nas contas dificulta alta do PIB, diz economista; veja repercussão

Governo prevê fechar 2016 no vermelho, mas projeta alta de 0,2% do PIB.
'Conta não fecha', afirma analista, que vê maior risco de rebaixamento.

Darlan Alvarenga e Karina TrevizanDo G1, em São Paulo
Pela primeira vez, o governo entregou ao Congresso Nacional um projeto de Orçamento prevendo gastos maiores que as receitas (déficit). A estimativa para 2016 é de déficit de R$ 30,5 bilhões, o que representa 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), disse o ministro Nelson Barbosa, do Planejamento, nesta segunda-feira (31).
ESTIMATIVAS DO ORÇAMENTO 2016           
Déficit de R$ 30,5 bilhões
Salário mínimo de R$ 865,50
Inflação de 5,4%
Crescimento da economia de 0,2%
O documento traz ainda a previsão decrescimento econômico de 0,2% no ano que vem. O mercado financeiro, porém, estima uma retração de 0,4% em 2016.
Em entrevista no Palácio do Planalto nesta segunda-feira (31), Nelson Barbosa afirmou que o governo continuará adotando medidas para melhorar os resultados das contas públicas em 2016 por meio do aumento de tributos e venda de participações acionárias, além de novas concessões.
Analistas ouvidos pelo G1 consideraram a projeção para o PIB pouco realista e avaliaram que aumenta o risco de o Brasil perder o chamado grau de investimento – espécie de selo dados pelas agências de classificação de risco para países considerados bons pagadores.
Veja abaixo a repercussão de especialistas em economia ouvidos pelo G1:
Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset Management
"O problema é o seguinte: o governo ano passado errou no PIB e acho que vai errar de novo, porque provavelmente não terá crescimento em 2016.
Não sei se existe um ranço natural do governo em não soltar uma notícia dessa para não parecer que o oficial em si está dando sinal de que vai haver um recuo da economia. O problema é que quando você se pauta no crescimento do PIB, você tem um elemento numérico e matemático nisso. Então, se você não crescer nem 0,2%, quer dizer que o déficit vai ser maior do que 0,5% do PIB.

O governo de certa maneira colocar que ele entende que vai haver um processo não recessivo e que vai ter um déficit primário, não exime as agências de classificação de risco, de repente, de não gostarem disso e tirarem o grau de investimento do país."
Nelson de Sousa, economista e professor de Finanças do Ibmec/RJ
"Não quero fazer um comentário com viés político, mas é uma confissão de fracasso. É mais ou menos estar dizendo: ‘Tem isso aqui para gastar, tem isso para arrecadar e não temos ideia de como fazer’.

Esse tipo de coisa gera mais pressão, mais insegurança e mais instabilidade. Mas o déficit terá que ser resolvido, e a forma de se resolver isso é emitir moeda, o que é muito ruim, ou emitir dívida, que implica em reajustar mais ainda a taxa de juros, que já beira 14,5% ao ano.
Infelizmente, estamos encaminhando para a perda do grau de investimento. Isso não deve ocorrer nos próximos 3 meses, mas estamos dando passos nessa direção.

E o governo veio com essa previsão de crescimento de 0,2% do PIB em 2016. Acho que nem mesmo o governo acredita nesse número. A conta não fecha. Falta realismo. A questão é que precisamos ter uma reversão de expectativas."

Julio Miragaya, vice-presidente do Conselho Federal de Economia
“O Orçamento que foi encaminhado reflete a realidade. Seria muito difícil o país fazer superávit primário. O que a gente tem é uma queda da receita por conta da própria retração da atividade econômica e um crescimento gradativo das despidas, especialmente daquelas vinculadas a gastos sociais, como educação e saúde, dos quais a própria sociedade não aceita redução. A cobrança da sociedade é essa, e o Estado tem que atender. E aí não cabe no Orçamento.
Independentemente de problemas de gestão dos recursos públicos, existe uma cota de programas sociais que não está cabendo no Orçamento. No ano passado, tentou-se usar alguns de artifícios para driblar a real situação e agora estamos trabalhando com dado verdadeiro. Nessa equação, não há como trabalhar com superávit primário.

Outro ponto importante é o gasto com juro da dívida pública em torno de 7,5% do PIB. Não basta gerar um superávit primário, o fundamental é quanto o país está gastando com juros na dívida pública. Eu prefiro ter um déficit de 0,5%, mas com gasto com juros a 4,5%, do que que gerar superávit de 1% com gasto com juros de 6%. O fundamental está nessa conta.”
Tharcisio Souza Santos, diretor do MBA da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP)
“O dado é horrível. Isso não pode ficar desse jeito, vai ter que encontrar uma solução porque a Lei de Responsabilidade Fiscal é muito clara: você não pode deixar o sistema de déficit primário. Foi tudo mal feito, como sempre. Lançaram o balão de ensaio da CPMF e perceberam que não ia ter clima para aprovar, então resolveram mandar do jeito que estava. O único ponto positivo é a transparência do tamanho do déficit.

Na realidade, isso significa uma garantia de que a relação entre a dívida e o PIB vai aumentar. O governo precisava fazer uma reestruturação econômica cortando despesas, muito mais do que as do ajuste fiscal, que só pesaram no bolso do contribuinte. Houve aumento de carga tributária aqui e ali e uma judiação social, como o atraso do pagamento da primeira metade do pagamento aos aposentados. Não é isso que tem que fazer. Tem que cortar na carne, reduzir os ministérios. A redução pra 29 é absolutamente ineficaz, tem que fazer um negócio mais pesado – até porque ninguém consegue governar com essa quantidade de ministros.

A previsão para o PIB, de alta de 0,2%, acho de um otimismo atroz. Neste ano, nós devemos fazer um resultado negativo acima de 2% e no ano que vem, se tudo correr muito bem, cair 0,5%. A economia está completamente parada, o resultado não é para fazer um crescimento de 0,2% que vem. Estamos no meio de uma estagnação da brava. Naturalmente, não é nada parecido com a da época do Collor de 1990, ainda tem poço para descer. Mas não vai ser muito melhor.”



Governo prevê déficit de R$ 30,5 bilhões no Orçamento de 2016

Governo prevê déficit de R$ 30,5 bilhões no Orçamento de 2016

É a 1ª vez que um projeto tem estimativa de gastos maiores que receitas.
Salário mínimo proposto para o ano é de R$ 865,50.

Laís Alegretti e Nathalia PassarinhoDo G1, em Brasília
Pela primeira vez, o governo entregou ao Congresso Nacional um projeto de Orçamento prevendo gastos maiores que as receitas (déficit). A estimativa para 2016 é de déficit de R$ 30,5 bilhões, o que representa 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com o ministro Nelson Barbosa, do Planejamento (veja acima).
ESTIMATIVAS DO ORÇAMENTO 2016           
Déficit de R$ 30,5 bilhões
Salário mínimo de R$ 865,50
Inflação de 5,4%
Crescimento da economia de 0,2%
O documento traz ainda a previsão de crescimento econômico de 0,2% e de inflação de 5,4% no ano que vem. O governo propõe elevar o salário mínimo para R$ 865,50 em 2016. Hoje, o valor é de R$ 788.
Em entrevista no Palácio do Planalto nesta segunda-feira (31), Nelson Barbosa afirmou que o governo continuará adotando medidas para melhorar os resultados das contas públicas em 2016 por meio do aumento de tributos e venda de participações acionárias, além de novas concessões.
Devem ser revistos os impostos sobre smartphones, vinhos e destilados, entre outros produtos, além do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) sobre as operações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para aumentar a arrecadação em R$ 11,2 bilhões. Essas mudanças serão feitas por meio de atos administrativos e por envio de Medida Provisória (MP) ao Congresso.
Com a ampliação do processo de concessões e venda de imóveis, além do aperfeiçoamento e aumento da cobrança da dívida ativa da União, o governo espera receber R$ 37,3 bilhões.
Segundo Barbosa, "hoje o principal desafio fiscal do Brasil é controlar o crescimento dos gastos obrigatórios da União". Isso significa discutir gastos com a Previdência, com a saúde, com funcionários públicos, entre outros, disse o ministro

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, também falou a jornalistas e declarou que o governo está adotando uma série de medidas que representam sacrifício, como redução dos ministérios.
"A gente sabe onde a gente quer chegar, a gente sabe como vai chegar, que é através de reformas, é fazer o Brasil mais justo simples, eficiente através de medidas legislativas em alguns casos. Precisa de uma ponte para assegurar a estabilidade fiscal, com receitas para cobrir despesas no curto prazo, podem ser ações provisórias, mas é importante considerá-las", disse Levy.
Segundo ele, essa é a conclusão que o Orçamento apresentado é "transparente e provoca reflexão no momento em que o Brasil enfrenta uma mudança significativa do ambiente econômico" (assista a seguir).
Meta fiscal
Com o projeto do Orçamento, o governo admite formalmente que a meta fiscal, de 0,7% do PIB, fixada em julho deste ano, não será atingida. Essa meta já era inferior ao objetivo inicial do governo, anunciado em novembro do ano passado, de que o setor público registraria um superávit primário (receitas maiores que os gastos, sem contar os juros) de ao menos 2% do PIB em 2016 (que correspondia a R$ 126,7 bilhões).

Mais cedo, após participar de um fórum em São Paulo, o vice-presidente da República, Michel Temer, disse que o projeto com previsão de déficit é uma demonstração de que não haverá "maquiagem" nas contas públicas.
O ministro do Planejamento informou que a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) estabelece que tem que enviar o Orçamento com uma meta fiscal, e que não importa se ela é positiva ou negativa.
"Estamos fazendo uma proposta orçamentária. Estamos fixando o valor para o próximo ano. Procuramos fazer uma proposta de despesa bem realista e adequada à realidade de recursos. No Minha Casa, Minha Vida, boa parte dos recursos estão alocados para concluir as unidades que estão em andamento, na fase dois. Devem ser concluídas até o final do ano. Vamos começar a fase três com novas contratações, mas em velocidade menor", afirmou.
Ele ressaltou que a prioridade é concluir obras e projetos que já estão em andamento. "Iniciar projetos novos somente se esses projetos forem compatíveis com a nossa disponibilidade de recursos."
CPMF
O governo optou por admitir que as contas públicas terão, no ano que vem, déficit fiscal inédito após ver naufragar sua ideia de retomar a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Esse imposto sobre transações bancárias vigorou por dez anos e acabou em 2007, quando foi derrubado pelo Senado.
A volta do tributo arrecadaria cerca de R$ 85 bilhões em 2016, grande parte destinada aos cofres do governo, e aumentaria a previsão de receitas para o próximo ano – cobrindo também o rombo orçamentário. A proposta, porém, foi rejeitada pela sociedade e pelo empresariado e acabou abandonada, pois teria de passar pelo crivo do Congresso Nacional.
Nos últimos dias, a presidente Dilma Rousseff comandou diversas reuniões com ministros que integram a chamada "junta orçamentária" do governo para tentar fechar os números do Orçamento. No sábado (29), após horas reunida com auxiliares no Palácio da Alvorada, ela desistiu, momentaneamente, da ideia de retomar a CPMF.
Entrega do Orçamento
Na noite deste domingo (30), depois de o governo debater inúmeros cenários para o Orçamento, Nelson Barbosa foi à residência oficial do Senado comunicar pessoalmente ao presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB-AL) a decisão do Planalto de incluir a previsão de déficit na peça orçamentária de 2016.
O projeto foi entregue a Renan nesta segunda-feira por Barbosa e por Joaquim Levy. Após recebê-lo, o presidente do Senado afirmou que o documento mostra uma atitude mais "realista" do governo em relação às contas públicas. Renan Calheiros também defendeu que os poderes se "mobilizem" para buscar soluções para a crise.
"Acho que esse Orçamento, apesar do déficit, é uma mudança de atitude, é um primeiro passo. É menos ficção, é mais realismo, e é preciso que nós ajudemos. Esse Orçamento significa, do ponto de vista da gestão, um avanço. O realismo orçamentário fala primeiro da necessidade de nos mobilizarmos todos, Congresso, sociedade, poderes, para encontrarmos saídas para o país", disse.
Prazo
No Congresso, o projeto é avaliado de forma conjunta por deputados e senadores. Primeiro, o texto passa pela Comissão Mista de Orçamento (CMO). Em seguida, precisa ser votado pelo plenário do Congresso Nacional. O texto aprovado, que pode conter modificações em relação ao original, segue para sanção da presidente da República.

De acordo com a Constituição, o Orçamento deve ser aprovado pelo Congresso até dezembro de cada ano.  Quando isso não acontece, o governo só pode gastar no ano seguinte o correspondente a 1/12 do Orçamento do ano anterior, até que o novo Orçamento seja aprovado.
Nelson Barbosa disse nesta segunda que o governo está pronto para negociar com o Congresso(veja a seguir). "Esse é um déficit que a gente espera que seja temporário. Vamos trabalhar para redução de despesa ou aumento de receita, para que esse déficit não seja permanente", afirmou.
O Orçamento deste ano só foi aprovado pelo Congresso em março, depois de a votação ser adiada algumas vezes. Com a demora para a aprovação, alguns ministérios tiveram queinterromper projetos ou retardar verbas previstas para alguns programas.
Ameaça ao grau de investimento
O anúncio formal de que o Orçamento está sendo enviado com um déficit fiscal inédito no ano que vem repercutiu mal no mercado financeiro, com o dólar subindo, se aproximando de R$ 3,70, e a bolsa de valores registrando retração.
O temor dos investidores é que o Brasil perca o chamado "grau de investimento" por conta do desequilíbrio nas contas públicas.
A equipe econômica tem trabalhado nos últimos meses para tentar melhorar o perfil das contas públicas para que a nota brasileira, concedida pelas agências de classificação de risco, permaneça no chamado "grau de investimento" – que é um tipo de recomendação para investimento.

Perdendo essa nota, as regras de vários fundos de pensão de outros países impediriam o investimento no Brasil, o que dificultaria a capacidade de o país, e das empresas do setor privado brasileiro, buscarem recursos no exterior – aumentando subsequentemente os juros destas operações.
País registrou déficit em 2014
Apesar dos esforços da equipe econômica, implementados por meio do ajuste fiscal, as contas de todo o setor público (governo, estados, municípios e empresas estatais) registraram em 2014 o primeiro déficit primário (receitas menos despesas, sem contar juros) da história em 2014. No ano passado, o déficit primário foi de R$ 32,53 bilhões, ou 0,63% do PIB, em todo ano passado.
Em 2015, as contas públicas registraram, de janeiro a julho, o pior resultado da série histórica, que começa em 2001, para este período. Em 12 meses até julho, houve um déficit primário de R$ 50,99 bilhões, ou 0,89% do PIB, também o pior resultado da série histórica para este indicador.
Quando se incorporam os juros da dívida pública na conta, no conceito conhecido no mercado como resultado "nominal", houve déficit de R$ 502 bilhões em 12 meses até julho, o equivalente a expressivos 8,81% do PIB. Trata-se, também, do pior resultado da história. Esse número é acompanhado com atenção pelas agências de classificação de risco na determinação da nota dos países.
Se fechar neste patamar em 2015, o resultado nominal do Brasil só estaria em melhor situação da de países como Bahrein (déficit de 9,8% do PIB), Antigua (-10,5% do PIB), Algéria (-12,5% do PIB), Brunei (-15,6% do PIB), República do Djibuti (-13% do PIB), Egito (-11,7% do PIB), Guinea Equatorial (-21,4% do PIB), Eritreia (-12,18% do PIB), Guiné (-10,1% do PIB), Iraque (-9,9% do PIB), Líbia (-68% do PIB) e Venezuela (-19,9% do PIB), de acordo com projeções do Fundo Monetário Internacional.
Orçamento com déficit é permitido
Segundo o economista Raul Velloso, especialista em contas públicas, ainda que inédito, não há nenhum impedimento legal para a entrega de um Orçamento com a previsão de déficit  e de aumento do endividamento.
"Formalmente, o Orçamento estima receita e fixa despesa. Não há nada que impeça que o governo estime que vai colocar títulos da dívida pública no exterior ou aqui dentro mesmo, e que isso vai financiar um determinado gasto”, explica.
“O governo tem que ter fontes suficientes para financiar os gastos. Se no meio das fontes tiver um aumento do endividamento, a única restrição legal que existe é que esse endividamento não pode ser atrelado a um aumento de gasto corrente. Mas se ele estiver financiando gasto de capital (investimento) não há nada que impeça”, acrescenta.
Relação dívida bruta/PIB
Com o déficit fiscal anunciado para o ano que vem, também haverá piora na relação dívida bruta/PIB – outro indicador acompanhado pelas agências de classificação de risco. Em julho deste ano, este patamar estava em 64,5% do PIB.
Segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), a dívida bruta do setor público brasileiro, entre 65% e 70% do PIB – valor que poderá ser alcançado nos próximos anos – estaria em um patamar elevado na comparação com outros países.
Estaria, por exemplo, maior do que Angola (44% do PIB em 2016), Argentina (50% do PIB), Bolívia (40% do PIB), Chile (17,9% do PIB), Colômbia (40% do PIB), México (51% do PIB), Rússia (17% do PIB), África do Sul (48% do PIB), Turquia (32%) e Venezuela (30% do PIB).
A dívida brasileira estaria menor, porém, do que o endividamento da Áustria (87% do PIB em 2016), Bélgica (106% do PIB), Gâmbia (90% do PIB), Grécia (162% do PIB), Irlanda (104% do PIB) e Japão (246% do PIB).
(VÍDEO: A seguir, Cristiana Lôbo comenta a proposta do governo para o Orçamento de 2016)